segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Conselhos médicos infalíveis da super sem noção

Consulta médica em plena segunda-feira de manhã, definitivamente, não é uma boa maneira de se começar a semana.
Ainda mais quando você cruza com certas figuras que, para dizer o mínimo, não têm a mínima noção de etiqueta em ambientes coletivos...

Introduzindo a nossa personagem de hoje, eu começaria dizendo que ela é um tanto "interessante".
Não possui nenhum conhecimento médico, porém sente uma necessidade incontrolável de ajudar no tratamento de pessoas enfermas.
Caridosa???
Preocupada com o próximo???
Não, é doida mesmo!

Bom, nossa história começa em uma clínica do aparelho digestivo.
Fui fazer uma consulta com uma proctologista, seguindo a recomendação do meu ginecologista.
Chegando lá, às 8:00 da madrugada, o consultório já estava cheio! (sim, porque recepção de clínica que atende plano de saúde hoje em dia não perde nada para os hospitais do SUS)

"Ok, paciência!", pensei.
Fui me sentar em uma das únicas cadeiras livres da recepção. Ao meu lado, uma senhora de óculos parecia ler uma revista.
No entanto, foi só eu me sentar e ela já veio querendo jogar conversa fora:

"Está cheio aqui hoje, né?! O pessoal abusa no fim de ano e depois fica aí... passando mal!"

Eu (sem saber direito o que responder): "Pois é..."

Ela (me dando uma avaliada dos pés à cabeça): "Você tá esperando consulta ou exame?"

Eu: "Consulta."

Ela (virando o corpo para o meu lado, querendo alongar a conversa): "Com que médico?"

Eu (tentando assistir o fim do Bom Dia Brasil): "Dra. Isabela."

Ela (sorrindo e acenando com a cabeça): "Conheço... ela é excelente!"

Eu (tentando demonstrar que não estava a fim de papo): "Que bom!"

Ela (não percebendo a dica): "Mas o que você está sentindo?"

Pausa neste instante.

Meus queridos, vejam bem, qualquer cidadão de bom senso, ao ouvir a palavra PROCTOLOGISTA, teria se dado por satisfeito com essa informação. Afinal, já é constrangedor discutir os "movimentos intestinais" com uma médica, imagine então com uma total desconhecida!

Acontece que essa senhora parecia não se importar com tais "formalidades", e ficou aguardando ansiosa pela minha resposta. E eu, desconcertada, resolvi sair pela tangente:

"A senhora me dá licença um minutinho? Meu telefone está tocando..."

E com essa desculpa eu me levantei e fui para o outro lado da recepção, onde tinha um bebedouro.
Bebi água e fiquei lá uns 10 minutos, enrolando, na esperança de que o nome dela fosse chamado e eu pudesse esperar pela minha consulta em paz.

Quando voltei para a área de espera, ela ainda estava lá, conversando com sua segunda vítima: um rapaz. Atrás deles tinha vagado uma cadeira, e resolvi me sentar lá.

Como o papo com o rapazinho estava animado, ela nem se deu conta de que eu tinha voltado. Assim que me acomodei, consegui entreouvir o moço dizer:

"Dra. Cristina, a senhora conhece?"

E ela, pelo visto super íntima de todo o corpo médico da clínica, responde:

"Ótima! Foi com ela que eu me consultei da última vez. É novinha, mas sabe das coisas!"

Nessa hora, um pensamento me ocorreu: se ela conhecia DUAS proctologistas, então é porque deveria ter alguma doença que exigia acompanhamento constante. E aí, instantaneamente, fiquei mal por não ter tido paciência com ela...

Enquanto isso, ela continuava o interrogatório básico:

"Mas o que você está sentindo?"

Pausa novamente nesta cena.
Antes de contar a resposta do rapaz, acho importante revelar um pequeno detalhe...

Enquanto fingia estar falando ao telefone, ao lado do bebedouro, observei a chegada dele na recepção.
Enquanto se identificava, não pude deixar de notar "certos olhares" que ele lançava para a representante de uma indústria farmacêutica, que aguardava sentada com sua maleta na área de espera, próxima da senhora curiosa.

A mulher em questão era realmente muito bonita, e percebeu que estava sendo admirada pelo rapazinho, porque não parava de mexer nos cabelos e de trocar as pernas de posição.
Pela linguagem corporal, arriscaria dizer que ela também ficou interessada nele.

Com isso em mente, voltemos à cena anterior:

"Mas o que você está sentindo?"

E o rapaz (roxo de vergonha, e calculando com muito cuidado a resposta): "É.. é... sabe... um desconforto intestinal..."

E a senhora sem noção (bem alto): "Ahhh, diarréia, né?!"

Gente, imaginem a cara do pobre moço nesse momento...
Ele olha para os lados e dá de cara com a representante bonitona, que não conseguiu sufocar a risadinha...
Ele simplesmente não sabia onde enfiar a cara!

Mas a "Super Sem Noção" ainda não tinha se dado por satisfeita:

"Olha só meu filho, escuta o que eu tô te dizendo, porque é tiro e queda!
Se a diarréia estiver amarela, é intoxicação alimentar, daí não tem jeito...o melhor é esperar sair tudo o que tiver te fazendo mal. Se for verde é virose, então tem que tomar remédio... mas pode tomar um chazinho de boldo que também ajuda! Agora, se for escura, ou tiver sangue, aí você tem que investigar, porque o troço pode ser sério..."

E o rapaz, enfiando a cara no "Vademecum" de 2000 páginas que segurava no colo, só conseguiu balançar a cabeça.

Coitado... lá se foi, por água abaixo, a esperança de conseguir o telefone da representante bonitona!

Completamente avessa ao estrago que tinha causado, a Super Sem Noção ainda completou:

"E olha, não precisa ficar com medo do exame de toque, viu? É muito simples... não dói nada! A doutora é super delicada... e muito bonita também... você vai gostar dela!"

Gente, pensem num homem que subitamente perdeu toda a cor no rosto... ficou tão branco que eu pensei que fosse desmaiar! A voz dele mal saiu quando perguntou:

"To... toque? Ninguém falou nada de toque!"

E mais que depressa ele se levantou e foi correndo procurar a recepcionista. Não consegui escutar o que ele dizia, só que gesticulava muito, visivelmente nervoso.
E com razão né?!
Exame de toque com uma DOUTORA MUITO BONITA não é pra qualquer um, não!

Assim que o rapaz levantou, para o meu azar, a Super Sem Noção viu que eu estava sentada atrás dela.
Pensando rápido, resolvi atacar para me defender. Perguntei, sem nenhum rodeio:

"A senhora parece conhecer muitos médicos aqui da clínica. Por acaso tem algum problema digestivo?"

E ela (na maior tranquilidade): "Não tenho nada, graças a Deus!"

Surpresa com a resposta, continuei: "Mas se não tem nada, o que está fazendo aqui?"

"Check up", respondeu. "Faço um todo começo de ano. Marco consulta com um médico de cada especialidade, pra ver se está tudo funcionando bem... E, olha, uma coisa boa é variar o médico, porque vai que o diagnóstico do outro é diferente, né?!"

E essa foi a voz da experiência!
A pessoa que faz juz ao dinheiro que paga para o plano de saúde...
Não tem doença ALGUMA, mas faz check up todo ano, incluindo todos os "istas" possíveis.

Vivendo e aprendendo!

Beijosss

Até a próxima!



5 comentários:

Mariana Coca disse...

Kkkkkkkk,é terrível quando isso acontece! o pior,é minha mãe que quando vai em um médico que não conhecemos,adora perguntar para as “colegas de espera“ experiências anteriores com os médicos,é muito engraçado!!!

Fê Veloso disse...

Friend, minha mãe também!
Já fiquei com vergonha alheia muitas vezes... Rsrsrs
Mas, segundo ela, ajuda a passar o tempo!
Beijos, lindona!
Quero ver sua barriguinha!

Anônimo disse...

Nandinha beleza, e pensar que os consultórios são cheios de "médicos E loucos" em todos os lugares.
Ninguém merece...
Tenho que tomar cuidado porque estou na idade de bancar sabidona nas salas de espera e procurar conversa, AI, MEU DEUS.








tenho que tomar cuidado

Dani Dytz disse...

Haha, excelente!

Vanessa Almeida disse...

kkkk ainda estou "vendo" a cara pálida do moço...

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